Você já parou para pensar: “Qual é o seu porquê?”

Esse é um texto criado com base no livro "O homem em busca de sentido" do Dr Viktor Frankl, que tem como objetivo explorar a jornada pessoal para descobrir o seu verdadeiro "porquê". Como entender suas motivações profundas, abraçar a simplicidade e valorizar sua singularidade? Descubra como encontrar seu propósito autêntico, alinhado com suas paixões e vivências. Uma reflexão profunda sobre o sentido da vida, a importância do autoconhecimento e a busca por um propósito real, com dicas práticas para ajudá-lo a dar o primeiro passo nessa jornada transformadora.

AUTOCONHECIMENTO E TRANSFORMAÇÃO

Tatiana Costa

2/27/20254 min read

Há momentos em que a vida parece perder o sentido...

Você continua trabalhando, cuidando das pessoas, cumprindo compromissos, resolvendo problemas… mas, por dentro, existe uma pergunta difícil de ignorar: “Para quê?”

O sofrimento, apesar de muitas vezes querermos anestiasia-lo, é algo inevitável na experiência humana.

Foi justamente diante dessa questão que o psiquiatra e neurologista austríaco Viktor Frankl construiu uma das obras mais conhecidas da psicologia existencial: Em Busca de Sentido.

Publicado originalmente em 1946, o livro reúne o relato de Frankl sobre sua experiência como prisioneiro em campos de concentração nazistas e apresenta, na segunda parte, os fundamentos da Logoterapia, abordagem psicoterapêutica desenvolvida por ele.

Mas o livro não é apenas sobre sofrimento. É, sobretudo, sobre sentido, liberdade interior, responsabilidade e a possibilidade de encontrar uma razão para continuar vivendo mesmo quando a realidade não pode ser imediatamente modificada.

Frankl, a partir de sua experiência nos campos de concentração nazistas, desenvolveu a ideia de que o ser humano pode encontrar sentido mesmo em situações de sofrimento. Para ele, encontrar um “porquê” (algo que dá significado à própria existência) pode ajudar uma pessoa a atravessar momentos muito difíceis.

O que significa encontrar um “porquê”?

O "porquê" (o sentido) não precisa ser grandioso. Ele precisa ser significativo para você. Esse sentido pode estar nas pequenas coisas: em uma pessoa que amamos, em um trabalho que realizamos, em algo que criamos, em uma experiência que vivemos ou na maneira como escolhemos nos posicionar diante de uma situação que não podemos mudar.

Uma das contribuições mais conhecidas de Frankl é a ideia de que, mesmo diante de circunstâncias que não escolhemos, existe algum espaço para escolher nossa atitude diante delas.

Até aqui acredito que já sabemos que nós não podemos controlar tudo. Não escolhemos todas as perdas, rejeições, doenças, mudanças, injustiças ou acontecimentos inesperados que atravessam nossa vida.

E reconhecer isso é muito importante.

Encontrar sentido não significa romantizar o sofrimento, fingir que algo doloroso é bom ou acreditar que tudo acontece por uma razão. Significa perguntar:

“Diante do que estou vivendo, qual é a resposta que quero construir?”

Então, você pode se perguntar; "Beleza, Tati. Até aqui eu entendi, como eu posso encontrar o meu “porquê”?"

Talvez essa seja a parte mais importante.

Frankl não propõe uma fórmula universal para descobrir o sentido da vida. E aqui está a beleza e a individualidade. Para ele, o sentido é particular e pode mudar de acordo com a pessoa e com o momento vivido.

Observe a sua vida como está agora, no tempo presente, e a partir dessa observação você pode se perguntar: O que essa circunstância está pedindo de mim agora?
A partir daí, você pode começar a investigar...

  • O que eu valorizo profundamente?

  • Que pessoas são importantes para mim?

  • Que princípios não quero abrir mão?

  • O que faz minha vida parecer significativa?

Às vezes, passamos tanto tempo tentando corresponder às expectativas externas que perdemos contato com aquilo que realmente valorizamos. (E aqui eu destaco a importância de você se conhecer).

Para Frankl, o sentido pode ser encontrado por meio daquilo que fazemos e oferecemos ao mundo e por meio das experiências que recebemos da vida.

O sentido pode surgir quando percebemos que nossa existência não diz respeito apenas ao que recebemos, mas também ao que podemos oferecer, no quanto e no como podemos ser útil na vida das pessoas.

O que você sabe fazer?

O que você pode construir?

Quem pode ser beneficiado por aquilo que você faz?

Isso não precisa significar mudar o mundo. Pode significar cuidar bem dos seus filhos, exercer seu trabalho com dedicação, criar algo, apoiar alguém ou desenvolver uma capacidade que considera importante.

E se você se encontra em um momento que parece estar enfrentando um dos maiores desafios da sua vida, vale refletir sobre o que a vida esteja pedindo de você nesse momento...
Talvez seja ter coragem.

Talvez seja aceitar uma perda.

Talvez seja colocar um limite.

Talvez seja recomeçar.

Talvez seja pedir ajuda.

Talvez seja simplesmente continuar.

O sentido pode estar menos em encontrar uma resposta definitiva e mais em responder conscientemente à vida que está diante de você.

É importante fazer uma distinção: encontrar sentido no sofrimento não é o mesmo que entender que sofrer é necessário ou desejável. De acordo com a experiência do autor, mesmo quando o sofrimento inevitável faz parte da realidade, ainda pode existir uma possibilidade de posicionamento diante dele.

Um exercício para começar a encontrar seu “porquê”

Pegue papel e caneta e responda, sem tentar escrever respostas bonitas:

1. O que é realmente importante para mim?

2. Quem ou o que faz minha vida valer a pena?

3. O que eu gostaria de deixar no mundo através da minha existência?

4. Que experiências fazem eu me sentir conectado com a vida?

5. O que a fase que estou vivendo está me pedindo?

6. Existe algo que posso fazer hoje que esteja alinhado com aquilo que considero importante?

E, por fim:

7) “Se eu não pudesse mudar imediatamente as circunstâncias da minha vida, que tipo de pessoa eu gostaria de escolher ser diante delas?”

Não procure uma resposta perfeita.

Às vezes, o nosso “porquê” não aparece como uma grande revelação. Ele vai sendo construído e percebido nas pequenas escolhas que fazemos todos os dias. Talvez você não precise encontrar um grande sentido para a vida, talvez precise apenas descobrir o que faz sentido para você hoje.

O sentido pode mudar. O que sustentou você aos 20 anos talvez não seja o mesmo que sustenta você aos 35, aos 50 ou aos 70. E tudo bem!

Pode ser que, encontrar seu “porquê” não seja descobrir uma resposta definitiva, seja aprender a viver de maneira cada vez mais coerente com aquilo que, para você, realmente importa.

E, algumas vezes, isso começa com uma pergunta muito simples: “O que, apesar de tudo, ainda faz a minha vida valer a pena?”

Nota: Em Busca de Sentido é uma obra de caráter autobiográfico e filosófico-existencial, além de apresentar os fundamentos da Logoterapia. Suas ideias podem ser utilizadas como reflexão e autoconhecimento, mas não substituem avaliação psicológica, psicoterapia ou acompanhamento médico quando necessários.

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